Carta NÃO METE ESSA

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Carta NÃO METE ESSA

Mensagem: Não mete essa

Número: 2

Comentário:

Essa carta é uma boa para expressar concretamente o sentimento de choque, quanto a uma situação contraditória. O número dois não tem nada a ver com nada e foi colocado só porque foi a segunda carta a ser feita. Aliás, de agora em diante, vamos parar de comentar o número.

Bom, a carta Não Mete Essa serve pra você tentar trazer pra realidade alguém que perdeu essa noção pela ponta do caminho. Ou você pode jogá-la para tentar reverter o curso de acontecimentos que, pelo que você está vendo, está correndo pro buraco. Ou ainda para confirmar se o que aconteceu, ou o que a pessoa disse, foi mesmo à vera. Logicamente que tudo depende da interpretação e do despreendimento de quem toma esta carta. NÃO METE ESSA é mais desabafo do que resultado, então cuidado. Porque qualquer coisa nesse mundo tem o direito de ficar pior.

Mas calma, vai dar tudo certo no final.

Exemplo ilustrativo de uso:

Gatinha maravilhosamente gata, totalmente sensacional, vestida com uma saia muito inteligente não pára de olhar pra você numa festa na casa de amigos. Você, que há pouco tempo perdeu o medo de viver, vira direto a caipifruta de kiwi, limpa a boca com as costas da mão, estala os dedos e parte pra cima. Chega com a verdade no olhar, mas começa manso:

– Oi.

A gata revela uma pupila de quem tá vertendo água pela fenda e responde perguntando:

– Vozê não eztá achando eza fezta zata? Tem um zamba no democráticoz que eu quero ir. Vozê me leva?

Você pensa em mandar a carta NÃO METE ESSA agora, mas sente que seria desperdício de oportunidade.

– Levo tudo.

Ela acha sua forma de falar divertida, tem uma pupila que vai decimembaixo, pega a bolsa, pega a sua mão e vocês três deixam a festa. No elevador, você já tenta dar o soviético, mas ela pára você com o dedinho na sua boca. Você chupa o dedinho dela de maneira grosseira e libidinosa, quase perde a linha, mas ela fecha os olhos, geme discreto e o espelho e o elevador ficam completamente embaçados com o clima que sobe.

Na saida do prédio, o porteiro é pego de surpresa pela saia inteligente e treme, abre a garagem de baixo, fecha a garagem de cima, liga o alarme, interfona pro play, liga a bomba d’água, até que, finalmente, acha o botão do portão, ZÊÊN, e vocês saem. Ela na frente e você atrás, apreciando a saia que era, realmente, muito inteligente.

No carro você se solta e fala. Ela ri de tudo. Quando não ri, ela te olha fixamente. Você repara que a pupila dela aumenta conforme o tempo e o clima sobe. Você discretamente liga o desembaçador traseiro, joga água no vidro, liga e desliga o alerta, e toda vez que você pensa em se aproximar para beijá-la, ela se antecipa, filha da puta, vira pra frente e começa a rir de novo.

Mas ela, de repente, bota a mão na tua perna, tua calça estufa e você pára na frente do democráticos.

Ela limpa o vidro com a mão fechada, kikikikiki, e vocês vêem pelo círculo que o samba tá bombando. Você já pensa no pior: quando ela sair do carro com essa saia, essa pupila, esse vapor, nêgo vai cair jantando, não vai sobrar nada. Mas de repente, a gata manda:

– Tá muito zeio. Vamoz pro Odizéia?

Você engata a primeira – exemplo ilustrativo longo pra caralho – e mete pro Odisséia. Kikikikiki, ninguém na porta.

A gata olha pra você, dentro dos teus olhos, tua calça estala na costura e ela mete:

– Quer zaber? Vamoz lá pra caza. A zente bota uma múzica e fazz a noza própria fezta.

Você mete uma primeira tão rápido que o carro quica e a gata é apresentada ao parábrisa. BAU! Mas o parabrisa é forte e a gata é louca e ela começa a rir de novo e você também, só que de desespero de loucura. Ela abre a bolsa, tira uma minigarrafa de miniChivas e vira: gluglugluglu.  No final, ela manda:

– Eu moro na barra. Azazazaza. Azazazaza. Azazazazaguc.

Você respira e vai. Primeira, segunda, terceira, quarta e quinta e vai direto de quinta. Você fala pouco, mas ela ainda ri de tudo, dando essa roncada no retorno de vez em quando. E você pára finalmente, na frente do prédio.

Poder aquisitivo forte, o segurança revista tudo, libera, vocês sobem. Ela bate palma, a porta da sala desliza, a lareira acende, a música sobe e a gata entra casa a dentro, dizendo que vai tirar eza roupa.

Você se serve no bar, olha ao seu redor e não acredita. Sofazinho campeão, já imagina logo a posição bombada e engasga no primeiro gole do whisky puro sangue. A gata retorna numa micro transparência dez vezes mais inteligente que a saia. Encosta em você, pega o seu  copo, vira tudo, te olha, só pupila, você vai beija-la e ela se afasta:

– Poza, cara… eu terminei a pouco tempo um relazionamento de doiz diaz direto e tô meio confuza ainda. Vozê é legal, hiper divertido, maz não pozo. Eu zó queria mezmo é converzar, falar zobre as aflizões do mundo e vozê acabou confundindo az coizas dezde zedo. Eu mamei e me diverti mamando, maz agora não zei, não zei…

Meu amigo… você não só puxa a carta NÃO METE ESSA, como você pula em cima da carta NÃO METE ESSA e fica sapateando em cima da carta, o que pra sua surpresa faz um barulho que aumenta a lareira pro máximo, pisca as luzes da sala em estrobo, faz a música tocar ao contrário e pra você, que nunca tinha visto o inferno, o lugar fica bem convincente. Você sai correndo e desce pelo elevador ouvindo, já diminuindo, a gargalhada descontrolada da gata.

Com aquela roncada, gostoooosa, no retorno.

. . .

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