Cara de Formiga é um sujeito gente boa, tem vários amigos maneiros, joga bola, curte samba, anda de skate, come pizza no café de amanhã e tem um sobrinho de oito anos que sempre ganha ele no videogame.


Cara de formiga gosta da vida. Ele ri das coisas que lhe agrada e quase tudo agrada Cara de Formiga. Porque ele está sempre tranquilo e feliz. E além disso, Cara de Formiga recomenda.


Cara de Formiga recomenda coisas. Várias coisas. Mas ele não recomenda necessariamente as coisas das quais ele ri, ou ri necessariamente das coisas que ele recomenda. Cara de Formiga não liga para as necessidades, ele apenas ri e recomenda. São coisas diferentes e que ele lida com total independência. Cara de formiga é feliz e sabe dividir seus detalhes.


Ai embaixo, estão textos que Cara de Formiga recomenda. Ele riu de alguns quando leu,  mas não tem nada a ver. Já expliquei isso.

Três por quatro




    Sabe aquele dia que você acorda bem? Um dia, sei lá, que você acorda bem? Não é que você acorde com saúde, não é isso. É um dia que você acorda bonito, você acorda legal. Você acorda rindo. Você se olha no espelho, e sei lá, o dia tá maneiro. Nasceu com um sol forte, ou uma chuva rala - dependendo do seu maneiro - mas é um dia bom. Às vezes, a gente tem dias bons. Às vezes. Um dia legal... Então, sabe uma coisa que você pode fazer nesse dia, que ninguém presta atenção e é legal?


    Porra, antes de viajar, de fugir de casa, de jogar na loto, de comprar uma motocicleta, antes de qualquer coisa que você faria se acordasse e percebesse que aquele dia é bom. Sabe uma coisa que você pode fazer, que ninguém presta atenção e é legal?


    Você pode dar uma passadinha numa loja de fotografia instantânea e tirar uma foto sua três por quatro.


    Não é uma boa idéia? Sei lá, de repente tira até mais de uma foto, tira três fotos. Tira doze fotos! De repente doze. Você dá sorte, tá na promoção: doze fotos, paga seis. Você não sabe quando vai aparecer de novo um dia bom, diz aí?


    Mas a idéia não é boa? Pô, você sempre precisa de uma foto três por quatro. Sempre. Toda hora. Aí...pã, cadê, não tem! E agora? Ai tem que tirar na hora, despreparado, irritado, num dia ruim. Porque se não era ruim, passou a ser! E pras meninas, aí é pior.


(está valendo a história)



- Porra, onde é que tiro essa foto então?


  O cara da repartição começa a explicar aonde é, complicado pra cacete, e ela olha pra amiga que está do lado dela e que também não entende, há trinta e cinco minutos, porque que! pra ter carteira de motorista! tem que ter foto 3x4! O cara da repartição acaba de explicar, ela olha de volta pra ele e tenta pela última vez:


- Tem certeza que precisa de foto?

- Minha filha, você tá tirando a porra de uma carteira de motorista, tem que ter seus córnios!!! Próxima pergunta idiota e você vai se dar mal aqui!!! E, olha!!! Vou fechar às sete, essa porra, hein!!! E vai ficar sem!!!

-Eee, tá nervosinho....


    E corre então pelas ruas do Rink pra tirar a foto. Vai ela e a amiga.


- Qual é a loja?

- É uma dessas de escadinha da morte.

- Qual delas?

- Qualquer uma, pô.


    E elas sobem e chegam lá cima:


– Oi, oi?! Aqui, oi, bom dia, eu quero uma foto.

- Boa tarde. Pra agora ou pra pegar em 30 dias?

- Pra agora.

- Promoção Doze por Seis, Avulsa, Passaporte, Casamento, Book, Quinze Anos, ou Arte Erótica?

- Arte Erótica?

- Arte Erótica, 50 reais peitinho aparecendo, 100 reais corpo todo, se for botar sua amiga junto é Pacote Surubinha, 500 pilas. Tem que assinar termo e só tem pra quinze dias.

- Que isso?!!

- A gente pode dividir em preço em três parcelas, mas o termo tem que assinar.

- Que isso, pelamordedeus, é uma três por quatro só.

- Promoção Doze por Seis?

- Quanto é essa promoção? Que loucura isso.

- Paga seis, leva doze.

- Doze fotos?

- Doze.

- Tá, quero essa de doze.

- Tá. Aguarde um momentinho.


    A mulher sai e elas comentam:


- Arte Erótica? Você já tinha visto isso?

- Tão diversificando, né. A vida tá difícil pra todo mundo.


    A mulher volta e manda:


- Senta ali, meu bem.


    E ela vai e senta numa cadeira, que com certeza total, não passou pelo controle de ergometria da fábrica.


- Levanta o queixo aqui. Assim.



BAU!




- Pronto. Já tirou, minha filha...

- Já foi?

- Já.



    A menina, entre estrelas e luzes coloridas, vê a moça da loja lhe ajudando a se levantar, um velho tirando alguma coisa de uma caixa e entrando numa janela no teto e um cachorro andando de costas. Isso tudo mesmo e com luz piscando e farolete.


- Já foi?


    A amiga:


– Já... Porradão de flash, né?

- Aquilo foi um flash?

- Acho que foi... Exagero isso.

- Bom, pelo menos foi rápido, né?

- Foi. Vamos ver agora, né.

- Será que eu saí bem?

- Toma aqui essa água com açucar...

- Sera que eu sai bem?

- Acho que saiu. Deve ter saido.




    A moça demora, um casal sai de uma cabine vestido todo de couro, ela vira a água com açucar toda, o cachorro desce a escada e a mulher finalmente volta. Ela e a amiga olham a foto e: Chora, neném. É um minuto de silêncio na loja.



...




    Retornando ao nosso tema, depois do exemplo, é isso. É aquele olhinho caído, aquela boquinha aberta, um cabelinho amarrotudo, aquela mescla de suor com fiapos de cabelo na testa, o queixinho pra frente, maldito! O queixinho pra frente mata a foto, a cara branca, o peito murcho. E são doze fotos iguais, não? Doze litros de puro dendê.


    E tá bom! Tá bom! É isso! Vai, vai, corre pra repartição!



BLÉU



    Colou na carteira de motorista. Pra vida toda. Ah... mostra agora pro namorado a carteira...



    Então, sério, quando você acordar num dia bom, vai tirar uma foto três por quatro. A gente sempre precisa pra algum documento. Num dia bom, você vai sair igual aqueles anúncios de carteirinha de estudante, sabe como é que é? Que eles estão dando sempre um sorriso legal, uma atitude legal, a foto fica com uma atitude legal, um espírito legal. Típico de quem acordou num dia bom e foi tirar uma foto três por quatro.


    Ou de alguém que está fingindo muito bem. Mas aí é outra história.

Rise and shine, revisitada

(cardigans)


Rise and shine, my sister.

Rise and shine.

Rise. Rise tudo.

Vai lá e rise.

Rise!

E Shine também, né, que é importante.

Shine legal.

Vai lá. Primeiro rise, depois shine.

Solta esse shine que você tem!

    O número mágico de Apolo



    Aposto que aquele que leu o título - pois tem gente que não lê - e deu importância, - pois tem gente que não dá -  ficou intrigado - pois tem gente que não fica.


    Mas do que se trata então este número? O que há de mágico neste número? E o que você tem a ver com esse número mágico? Quem é Apolo? Será que é um número de mágica de Apolo? Será Apolo um mágico que tira coelhos da cartola? Quantas perguntas? Será que haverá tempo suficiente para respondê-las? Ou o tempo é só um suspiro diante da incomensurável sabedoria necessária para responder ao menos uma coisa dessas que estão aí em cima com um ponto de, respira homem, de interrogação a reboque?


    Socorro, um alienígena dominou minha cabeça, eu estou falando MENTIRA eu não sou um alienígena. … sim, todos nós somos. Inclusive Apolo.


    Contava-se na Grécia antiga, barzinho aqui de Niterói, ali perto da UFF, no Gragoatá, que Apolo andava triste, pois havia perdido o número do cofre onde guardava o seu coração. Apolo, depois de um amor não correspondido com uma jovem aluna, pois era professor. Quê? Ãh, vocês acharam que era aquele Deus? Mas não é não gente. Ô meu deus... desculpa, eu devia ter contextualizado, foi mal. É que eu vou contando, aí eu vou esquecendo, pô, desculpa, valeu. Mas continuando... Apolo guardou seu coração num cofre para que nunca mais se apaixonasse por ninguém.


    Enfim, o tempo passou, Apolo naquela coisa, UFF, casa, casa, UFF, ficou puto e decidiu amar de novo. E decidiu que seria pela primeira pessoa que ele, o coração, visse quando ele, o Apolo abrisse ele, o cofrisse, sisse sisse sisse, Eu estou de Volta, o alienigenásse, se eu fosse do Planeta do Pretérito Imperfeito do Subjuntivo, nós só falássemos dessa forma, Voltei voltei, chega dessa droga de alien, não aguento mais!


    Porra, que saber mesmo?


    O lance é que Apolo não sabe onde botou o segredo do cofre e continua naquela coisa casa, UFF, UFF, casa e vez ou outra para num barzinho pra tomar aquela, porque sabe comé que é, tá de bobeira no bar, aparece alguém de cofre aberto e se apaixona por ele, e aí? Se dá bem, não é isso? A pessoa ama pelos dois, ele não se ilude, não sofre e tudo fica sapeca. Só que até agora não veio nada, não apareceu ninguém e no fundo, no fundo, deve ter sido urucubaca daquela filha da puta.

   

    Mostrasse! Fosse! Falasse!  Sai! Sai! Sai!

Roney e a tradição.



   Cinco amigos sempre passaram o reveillon juntos. São amigos com tradições fazer o quê? Mas por uma tropeçada do destino, eles foram obrigados a passar o reveillon separados pela primeira vez. Depois de horas pensando, esgotou-se a esperança de manter a escrita e a energia de continuar tentando. E é nesses momentos que a tradição permanece, quando está prestes a acabar. Alguém pensou:


- Vamos passar no mar!

- Ãh?!

- Todos nós vamos pro litoral, não é?

- Aham.

- Então, a gente um pouco antes da meia-noite vai pro mar e passa a virada lá dentro. O mar é o mesmo! Daqui no Japão. Então estaremos todos juntos, como numa grande sala!


    Eu não sei se foi o cansaço, eu não sei se foi a tradição, eu sei que todo mundo concordou. E na meia-noite, todos na água, nos seus respectivos estados e um em outro continente. Mas na água. Um pensou no outro e tal.


    Bom, se energizou eu não sei, sei que a tradição se manteve.  Pena que um não voltou mais: entrou de sunga e champanhe chapadão e só voltou a garrafa.


    E é aí que eu digo: se der pra manter a tradição, mantém. Mas se não der, my friend, inventa outra. Afinal, tradição não começa assim?

E Paulo Rafael?

Que perdeu o chapéu na praça.


    Ficou chorando, nego chegou dando na CÁRA. Foi a maior correria. Nego querendo dar na cara de Paulo Rafael e Paulo Rafael gritando: que porra é essa maluco!! E nego chegando perto. E tôma! Uma pedrada nas costas. Paulo Rafael dá aquela barulhada de pulmão e corre. Corre pra caralho. Lááááh! Nego partindo atrás, mais de cem cabeças, pau, pedra: se pegar, vou denegrir!


    E Paulo Rafael gritando: Que isso maluco! Que isso!! É só um chapéu! E nego báául pranchando de frente e Paulo Rafael mete pras barcas - Isso foi ali em Niterói, na Arariboiá ali; de frente pro Araribóia - sei que quando ele meteu pras barcas, que ele quebrou na banca, Paulo Rafael tropeçou na pedra portuguesa, cavou três, quatro metros de cavaco largo e caiu nucando uma moenda de caldo de cana um real, com limão. Fuga de Absolom, o cérebro de Paulo Rafael caiu num copo 300 ml.


    Porra, nego já parou, tacou meia galega de querosene e BUM. Vai!


    É maluco, o negócio ali tá a toa.

Essa é a história de Lucas, o jovem.




Lucas tem um estranho dom: ele canta em um tom que não existe, mas que se encaixa perfeitamente em qualquer música. Nas rodas de amigos, nos luais, para Lucas basta abrir a boca e querer cantar, que ele canta; num tom estranho, mas agradável. E ele é assim. E canta qualquer música, é só dizer a letra.


Vai dizer que você também não queria ser igual a Lucas, o jovem?


Queria sim!


Vai dizer que você também não queria cantar sem atrapalhar quem está cantando?


Queria sim!


Porque cantar eu também canto. E você também. Mas não basta.

Stand Up de Faculdade


O asteróide Tommy, que há dez anos se encontra em rota de colisão com a Terra, finalmente será desviado.


Cientistas conseguiram produzir uma placa de vire a direita de 4 mil metros de diâmetro, que acreditam ser capaz de, se não desviar, pelo menos confundir o asteróide Tommy.

   

O foguete que levará a placa partirá no próximo dia 5 e será pilotado pelo francês Jean Jackes Lettuce. Vai Lettuce!


Corta. Próximo.

esse sítio não é atualizado, ele é enchido, vai enchendo. não tem ordem, não tem nada. tem isso e mete bronca.

Cara de Formiga ri e recomenda.