propaganda
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A primeira coisa é que eu penso o que eu penso, fruto da minha vivência.
Isso não quer dizer que eu sei das coisas. Isso quer dizer que eu vivo as coisas.
E viver é pensar, sentir e dizer. Nada daqui tem um embasamento hiper-teórico por trás.
Nem corretor ortográfico, ou um revisor de português formal.
Tenho um estudo, mas num nível pós-universitário atento e nada mais.
Leio uma coisa, ou outra, um negocinho aqui, um gueri-gueri ali, mas entendo o mundo.
Pode mandar a teoria, que eu me esforço pra pescar.
Mas também não vem achando que você tá falando com um PHD, porque não tá.
Vem, mas vem manso e fique à vontade pra descer a idéia.

me processa!
Se quiser comentar, comenta!
24 comentários
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Anônimo
Já leu "sem logo”, da Naomi Klein?
Quinta, 28 de fevereiro de 2008
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Claudio Avelino
Graças a Deus ainda existe vida inteligente nessa republiqueta de bananas. Ainda tenho esperanças. Essa noite vou dormir mais feliz, porque ainda existe uma possibilidade de futuro. Bom saber que alguém que pensa se manifestou de alguma forma. Vida longa a este blog.
Quinta, 28 de fevereiro de 2008
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Mandioca Malakias
Bom, muito bom!!!
Isso aí, tem que meter o pau mesmo! Ninguém mandou produzir em excesso, então não vem forçar a barra para vender todo o estoque!! Esse é um dos grandes problemas do mundo - a super produção de produtos completamente desnecessários - problema que é muito maior do que aparenta.
Bom demais, resistir sempre!!!!
Quinta, 28 de fevereiro de 2008
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Paulinho Silva
vida inteligente nesse planeta
Quinta, 28 de fevereiro de 2008
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Augusto
você já imaginou como seria legal um intervalo assim como o que você propoe? Seriam três minutos seguidos de “Antartica, cerveja pilsen, R$ 2,70. Fundo preto, letra branca, sem música, sem nada”, “Palio, carro para mulheres, R$ 35 mil. Fundo preto, letra branca, sem música, sem nada”, “Site Antipropaganda, textos com muitos erros d eportuguês, acesso grátis. Fundo preto, letra branca, sem música, sem nada.” Bem legal, hein? Tomara que um dia você se torne presidente.
Quinta, 28 de fevereiro de 2008
SEÇÃO
É isso aí, palhacinho. Você pensa que alguém que cria e mantém um sítio, criticando a propaganda é contra a propaganda, certo? Errado. O mundo não é assim, garotão, o mundo é muito louco. E as pessoas fazem coisas estranhas e muitas vezes contraditórias. Bom, talvez você nem pense isso que eu acabei de dizer que você pensa, foi mal. É que na verdade, eu fico pensando nos bacanistas que podem entrar aqui e sair me contra-esculachando de cara com argumentinhos idiotas e eu fico nervoso antecipadamente por isso. Me desculpe.
Mas de qualquer forma, como sempre acontece, prefiro já deixar escrito a nuance, pra não tomar porrada do contraste.
Vou escrever aqui as motivações que me fizeram criar o sítio e adianto que não são motivos eternos, até porque sempre vou mexer nessa página para aproximá-la do que eu quero realmente dizer. Farei isso conforme for descobrindo o que eu quero realmente dizer. Bom, de qualquer forma, pelas seções e idéias expostas, eu já estou dizendo alguma coisa, mas a razão disso tudo ainda me é distante.
Gostaria de deixar bem claro, como primeiro de tudo nessa vida, que eu sou totalmente contra qualquer tipo de censura. Embora aqui eu meta bronca em vários anúncios e tenha minhas próprias idéias para toda a propaganda, jamais farei, nem encorajarei, atitudes destruidoras, proibitivas, xingamentos e outras hostilidades não intelectuais para com os publicitários, incluindo os mais filhas das putas, no plural. Comigo é na palavra e na imagem e se um dia alguma coisa mudar, que seja de forma pacífica e misericordiosa. E eu me sinto completamente responsável pelas coisas que eu digo aqui, por isso escrevo os dizeres ME PROCESSA em todas as páginas. Parece uma frase arrogante, mas não é arrogante e isso eu estou dizendo, escrevendo, deixando bem claro. Se você ainda quiser achar outra coisa, pena. Eu digo me processe, porque eu acredito que todos têm o direito de se defender e de serem compensados por problemas causados por outras pessoas, e eu me incluo nesta lista, tanto para defender meus pontos de vista, como para assumir meus excessos. Sem falar no duplo sentido da frase ME PROCESSA, que ai já seria explicar a piada.
Depois desse balancê inicial, vou começar.
Eu sei que o mundo deve se desenvolver, que as pessoas devem melhorar de vida, que todos têm direito de serem felizes, de comprar as coisas que desejam comprar, de vender as coisas que desejam vender e tudo mais, mas não acredito que isso vá acontecer para todo mundo se continuarmos valorizando um sistema de ilusões desonestas e preconceituosas, onde se vende a imagem de falsos vencedores como verdadeiros vencedores, criando um clima de competição permanente. Onde se vende a idéia de que quem tem as coisas está bem e quem não tem as coisas, está mal, ou está mau. Onde se elege um grupo reduzido de pessoas que se reelege constantemente. Onde se vende que o erro é inaceitável e o excesso é desaconselhável. Onde o melhor é o melhor e o pior é o pior. Onde competir é mais importante que participar e vencer é mais importante que competir. Há recursos para saciar a fome de todo mundo, mas não a ganância de todo mundo. Frasezinha marota.
Um carro novo pode lhe trazer felicidade, por que não? Mas, sinceramente, ele não vai trazer a felicidade fabricada e vendida nos anúncios de automóveis, com todas aquelas mulheres gostosas e a sofisticação pseudo-vanguardista, simplesmente porque aquela felicidade vendida ali não existe. Basta olhar nas revistas de 1988 os anúncios de automóveis, a esportividade do monza hatch (vocês se lembram do monza hatch?), ou mais para trás com a sofisticação da brasília 83. O anúncio está lá, igual aos de hoje, só que no lugar de um astra que anda de cabeça pra baixo está uma charanga do cara do pão. Você pode achar que o carro possante vai lhe trazer a mulher gostosa e a mulher gostosa pode achar que um carro possante é uma boa jogada, mas ainda sim, você e a mulher gostosa são vocês e nada menos. Depois do primeiro momento, onde o comercial acaba e a vida continua, o que é que vocês vão fazer? Qual vai ser? Quem vai dizer o quê? Porque toda aquela felicidade do anúncio só dura aquele tempo do anúncio.
Eu sei que o carro tem que vender mais, que a cerveja tem que vender mais, que o nescau tem que vender mais, que o prédio tem que vender mais, que quase tudo que se vende tem que vender mais, que o mundo tá na ponta e que tá todo mundo correndo atrás, mas (sem o i) eu não acho que isso seja motivo pra se passar por cima de tudo, de ocupar todos os espaços visíveis, de empurrar idéias e conceitos que não são reais e que não estão nos produtos em si e que, na maioria das vezes, nós não pedimos para receber.
Por exemplo, cerveja tem anúncios cheios de mulheres e um pessoal se divertindo e curtindo. Não sou contra o pessoal curtir e se divertir, pelo contrário, tudo o que eu quero é curtir e me divertir com o pessoal. Também não sou contra a cerveja, quem me conhece sabe, bebo bem e gosto muito. Tenho inclusive marcas prediletas, olha que loucura. Gosto de Antarctica e de Skol (e de Itaipava quando a grana tá curta). E quando estou no fim da festa ou em festival patrocinado, encaro qualquer marca, qualquer álcool. Mas acho errado o publicitário que, pra apenas vender mais cerveja, transmite como verdade absoluta - te roga praga, inclusive, pela ausência - todo aquele ambiente maravilhoso, todas aquelas gatas, aquele astral, que ele sabe que não vão estar, necessariamente, acompanhando a sua cerveja na hora que você comprar e tomar.
Ele sabe que é mentira e você sabe que é mentira, mas aquilo é bombardeado tantas vezes para tanta gente tantas horas, todos os dias e em quase todos os lugares que o objetivo de se criar um sonho, um conceito (argh!), em torno de uma marca é alcançado, independente das consequências. O bar é falso, as mulheres são atrizes, os rapazes são atores, a cerveja ninguém bebe. É tudo escrito, tudo ensaiado, tudo maquiado, tudo fotografado, tudo editado, recolorido, retratado, remexido e finalizado a ponto do comum, chato, longo e demorado ficar breve, espetacular e alucinante.
- E qual o problema?
Porra, o problema é que você está lidando com um produto e nada mais. Um produto e nada mais! É uma atitude irresponsável, associar a um produto, e nada mais, uma porrada de coisas criadas de mentira, que na hora da compra não vão vir com o produto, que não vão estar presentes na vida real. E bombardear essa associação de fábrica para milhões e milhões de pessoas ao mesmo tempo, fazendo pouca distinção entre elas. E isso só pra comentar a relação com o produto em si, a mais básica. Fora todo o resto de padronização, divulgação e porque não, imposição dos famosos e acéticos estilos de vida.
- Tá. Mas você já não bebeu com seus amigos e foi legal, num bar legal, com mulheres legais. O publicitário usa estes casos particulares como possibilidades e os ressalta. Que que tem?
Que que tem que isto é um caso particular e exatamente por isso não deve ser tomado como caso geral como eles fazem quando veiculam estes padrões para milhões de pessoas ao mesmo tempo, diariamente. Caso particular é caso particular, amplificar um anúncio para vinte e sete milhões de pessoas ao mesmo tempo é transformar um caso particular em um caso geral.
Lógico que eu já bebi com meus amigos e foi legal. Mas não é sempre. Aliás, com mulheres legais, foram poucas vezes. Puxa... Bom, mas é até por causa disso. Os empresários, publicitários, produtores, atores, diretores criam uma coisa que só parece feliz depois de passar por um tratamento digital de cem mil reais (mínimo), que quando comparada com a minha vida de 100 reais (máximo), me faz parecer um merda. Sorte que eu sei coméquié e grito contra, mas é duro. Toda hora levar porrada da falsidade milionária é foda, amigo. Escolhendo momentos particulares e os transformando em fenômenos de massa é destruidor, é arrasador. Aliás, por que eles não fazem anúncios de marido bêbado espancando a mulher? Ou de alguém vomitando tudo na lateral da festa? Ou do solitário falando sozinho no canto do boteco? Isso também é momento particular, patrocinado pelo álcool da bebida, tanto quanto as gostosas e a alegria, é ou não é?
- Então como que deveria ser o anúncio de cerveja, ô sabe tudo?
Deveria ser assim: Antartica, cerveja pilsen, R$ 2,70. Fundo preto, letra branca, sem música, sem nada. hahahaha.
- Você está de ácido.
Para mim toda a propaganda ostensiva, que você declaradamente não pediu para ver, deveria ser apresentada sempre em fundo branco, letra preta, nome do produto, preço, locução, sem música, sem nada. Toda propaganda não solicitada, da televisão aos pontos de venda, das revistas aos jornais, dos adesivos às camisetas deveriam ser assim, restritas ao nome do produto e ao preço. Quem quisesse saber mais sobre o produto, poderia solicitar um catálogo nas lojas, ou pelo correio, ou entrar num site na internet. E assim a gente teria mais tempo e mais espaço para ocupar nossas mentes com as coisas de verdade, incluindo a poesia, a arte, as idéias geniais, as histórias engraçadas e a bebida, a verdadeira, incluindo todas as suas vantagens e desvantagens. A gente ia libertar os publicitários! Gostou?
- Não, não gostei. Achei ingênuo, bobinho e muito utópico. Isso tá com cara de censura e você tá com pinta de candidato a presidente.
Bom, isso é censura se for feito de cima pra baixo por decretos e cacetete e tudo mais. E eu não aceitaria que a propaganda chegasse a isso pela força. Ai não, aí eu brigo contra. E não sou candidato a nada. Não tenho certezas suficientes para exercer qualquer liderança. Só aceitaria essa mudança se fosse um movimento coletivo, consciente, pacífico, de união das partes. Por isso que fizemos um sitio e não montamos uma milícia, ou um partido.
Quando o primeiro empresário disser: quero a propaganda do nosso produto assim e a gente vai vender o que der pra vender, isso vai ser bom. Mas isso vai ser quando o primeiro empresário disser, não eu. Eu já disse.
Vamos ver. Vamos viver.
RECOMENTANDO:
Vou comentar aqui os comentários que estão mais abaixo, pra gente ir seguindo nesse mundo trocando, não impondo, nem tomando.
Bom, quando eu sugiro anúncios em fundo preto com letra branca, sem música, sem nada é exatamente porque eu não dou tanta importância a propaganda assim como, por exemplo, a indústria dá. Tanto dá, que gasta milhões e milhões de doletas na criação, produção e veiculação de suas peças publicitárias. Assim, a sugestão de anúncios mais simples, que óbvio, porra, caralho, formiga, micróbio, é uma clara utopia, serve mais para colocar um pouco de perspectiva sobre as imagens que recebemos dos produtos que fabricamos, do que um manual com o que fazer. Não é uma receita do certo. Até porque não há certo, como aquele dilema ético primordial: "o que é bom para a leoa, não é bom para a gazela. E certamente o que é bom para a gazela, não será bom para a leoa."
A comunicação de massa amplifica. Faz de casos particulares, situações gerais. Impõe padrões, cria tipos e esterótipos, reúne comportamentos e os impõe, porque transmite suas mensagens uniformemente, a inúmeras pessoas ao mesmo tempo. E sem um direito de resposta à altura. Não à altura da inteligência das pessoas, mas à altura do alcance de suas respostas. E quando eu digo que cultura de massa impôe, estou falando do movimento, não do fim, porque do outro lado estamos nós, que aceitamos, ou não, estas imposições, quando as percebemos.
Esta página, por exemplo, tem uma área reservada aos comentários que permite este tipo de debate, algum debate. A televisão, as revistas, os jornais, os outdoors, os busdoors, os indoors, os adesivos, as camisetas não tem espaços como este para comentário, espaços de mesmo valor. O que eu estou dizendo aqui, pode ser contradito logo abaixo. As seções de leitores nos jornais, os telefones para reclamação da televisão, os órgãos de controle das posturas municipais e o conselho de auto-regulamentação publicitária são espaços de reclamação sim, mas destacados das mensagens, de tamanho muito menor e menos potentes. E da maneira como os meios de comunicação se estabeleceram, estes espaços não poderiam ser de outra forma. Ninguém imagina um jornal com a seção de cartas do mesmo tamanho do resto do jornal, imagina?
E uma coisa que eu tentei deixar bem clara, mas acho que não fui claro o suficiente é que eu não sou contra a propaganda. Eu apenas respondo de volta a alguns tipos de propaganda que chegam até mim e continuarão chegando até mim, todo dia, estando vocês aonde estiverem, fazendo o que quiserem, pensando o que quiserem. Esta reação sincera é muito diferente de ser contra a propaganda. Os tempos de radicalismo escolar já acabaram e isso torna tudo muito mais perigoso, sutil e realista. Eu sou realista e foi a minha realidade, caseira até, que me fez criar este sítio.
Eu também sou formado em publicidade! (hehehe é uma merda escrever isso, porque eu nunca consigo colocar nas letras a minha verdadeira entonação) A maior parte dos meus amigos, amigos mesmo, trabalham e pagam suas contas com publicidade. Eu mesmo já produzi materiais publicitários, vídeos internos de empresas de varejão dizendo para os funcionários, que recebem pouco pela quantidade que trabalham, fazerem exatamente o que estão fazendo, só que de um jeito melhor e mais bonito. Tenho amigos nos jornais grandes e pequenos, nas agências grandes e pequenas, nas produtoras grandes e pequenas, no showbizz, no mainstream, no underground, no outside, no inside e em vários outros espaços desses com nominhos marotos. Eu só sei que eles são meus amigos, bem próximos e que vivem a realidade tanto quanto eu. São pessoas boas, honestas, responsáveis e que para se sustentar fazem toda a roda do sistema girar. Mas quem não faz? Quem não faz diariamente toda a roda do sistema girar?
E eu sei que eu não pago as contas dos meus amigos!! Nem a luz, nem a água, nem o aluguel, nem a escola dos filhos deles, nem o plano de saúde e por ai vai. Então, não sou eu que vou dizer a eles o que fazer, como fazer e quando fazer. O que eu faço é viver a minha vida, como eles vivem as deles, dentro das alternativas que eles têm, que nós temos. Volta e meia a gente se esbarra e eu ouço eles dizendo que o dia foi foda, que o dia foi uma merda, porque aconteceu isso e aquilo. E eu também digo que meu dia foi uma merda, que foi foda, porque aconteceu
isso e aquilo e aposto que o florista aqui da esquina também tem seus dias bons e ruins. Tudo é trabalho, minha gente, tudo é dinheiro e assim a discussão se torna muito, mas muito mais complexa. A prefeitura de São Paulo por exemplo, foi radical quando decretou de um dia pro outro o fim dos outdoors. Eu não sou radical. Eu sou contra atitudes de agora chega e foda-se. O mundo é feito de pessoas por todos os lados, então calma. O buraco é láááá embaixo.
Eu tomo Coca-cola e como no Mac Donald's. Eu tenho ar-condicionado e um carro Gol bolinha, semana passada comprei uma calça Levis 501 e ontem levei meu tênis adidas para costurar a ponta que abriu. Comprei a coleção completa do Calvin e Haroldo encadernada e os livros originais do AKIRA na Amazon.com e com cartão de crédito Visa. Ando de escada rolante no shopping e tomo café na padaria aqui da esquina. Leio o jornal na banca junto com mais cinco pessoas mais ou menos e tomo todo dia uma mensagem vencedora do outdoor daqueles big size que tem na lateral do prédio aqui do lado da minha casa. Todo dia ele está lá. E todo dia eu tô também. Eu não sou contra os produtos e a inovação tecnológica, nem contra as marcas e a qualidade técnica. Eu compro, eu uso, eu sei. Eu reajo mesmo é ao excesso, a hipervalorização, a ocupação de todos os espaços à serviço da venda. E reajo à maneira que o sistema de massa tem de querer padronizar e rotular tudo e multiplicar meias-verdades como verdades absolutas para milhões de pessoas todos os dias. E reajo às propagandas idiotas, preconceitosas e ameaçadoras simplesmente porque não me reconheço nelas, e nem reconheço em quem as faz, NENHUM tipo de autoridade que me impeça de exercer meu direito democrático de dizer o que eu penso. Se eles, e qualquer um, podem dizer todo dia na minha cara o que quiserem, tambem têm que estar dispostos a ouvir a contra-proposta, a antipropaganda que eu estou querendo dizer. Estamos todos no mesmo barco, ou vamos fazer igual a banco, que trata melhor os que tem mais dinheiro, e depois vir dizendo que está contribuindo para um mundo melhor?
Eu por exemplo, tomo Coca-cola, não tomo otimismo, porra! Que porra essa de "beba otimismo", dá um tempo. Quando eu tô de ressaca até cabe um pouco, eu viro aquela coca-cola de garrafa e fico ótimo mesmo, porradão. Mas qualé?! Só porque eu tenho um carro Gol agora posso sair tomando as vagas dos outros pelas ruas, (sabe esse anúncio, que se chama "as verdades" sobre o Gol?), ou passando por cima de lombadas, porque "ninguém encara um Gol"?! Como assim?! E o pessoal que construiu a lombada, que quando vem o gol a lombada sai fora, vai ficar sem a lombada?! E o cara do tanque de guerra, que perdeu a vaga no shopping?! Foda-se todo mundo? Fica por isso mesmo? Porque o outro cara tá de Gol? E o Banco Itaú que vende o pôr-do-sol? "Quando você olhar para o pôr-do-sol pense no Itaú, feito para você". Porra, logo o pôr-do-sol, chefe? Eu nunca comprei uma calça Levis e sai correndo pelas ruas, sem camisa, fazendo estilo de que descobri o sentido para vida que é sair correndo. Até porque correr de calça jeans é foda. Nem fiquei roubando a mulher de otáríos na estrada deserta com a minha picape retrô. Tampouco fiquei puto quando meu tênis Adidas novinho rasgou a ponta, porque a vida, meu amigo, é assim. O sapateiro ganha pra isso. O cartão Visa me propiciou a compra de dois livros muito maneiros que há tempos eu queria comprar e nada mais. Porque a vida é agora? E daí que a vida é agora? A vida sempre foi agora e um cartão de crédito é apenas um cartão de crédito, nada mais. Tá entendendo isso? Nada mais! Não encontrei a mulher da minha vida no avião, nem sai na neve esquiando, nem escalei um iceberg e depois dei uma tragada no meu Marlboro. Eu só estou vivendo. Normal. Simples. Como vocês estão. Como vocês estão, falar nisso? Vocês estão bem?
A cidade de Parati-RJ tem várias restrições para construções no seu centro histórico por conta do tombamento e tal. Então pelas ruas do centro, das casas de janelão e portas altas, não se vê letreiros ostensivos, nem outdoors gigantes, nem vitrines pisca-pisca. Mas as lojas estão lá, os bancos estão lá, enfim, o comércio, os produtos, o dinheiro, o consumo. E bota consumo nisso. Mas é bom, porque você olha pra rua e vê gente, vê céu, vê as paredes das casas... E quando você se aproxima do Banco Itaú, o letreiro do banco Itaú está lá, discreto, normal. E o banco Itaú esta lá, funcionando. Não é romantismo, é verdadeiro. Está tudo lá, só que sem a histeria.
Então, como diz meu pai: você ganha dinheiro para ir a praia com sua gatinha? Não. Você ganha dinheiro para tomar um sorvete? Não. Você ganha dinheiro para ler um livro deitado na rede? Não. Você ganha dinheiro para comer aquele churrasquinho de picanha? Não. Você ganha dinheiro para trabalhar? Ganho. Então trabalha, filha da puta! Quando meu pai me disse isso, o romantismo acabou. Todos nós vivemos a vida e nos sustentamos. Uns com mais facilidade, outros com mais dificuldade. Trabalho, dinheiro, qual o problema? Repetindo, não é porque eu critico o excesso, que eu sou a favor da falta.
Este sítio foi feito para dar vazão as coisas que eu penso, quando eu vejo por exemplo este outdoor do lado da minha casa, ou quando eu estou assistindo televisão, ou quando alguma criança lá na escola me pergunta como se faz adesivos da Polly Pocket. Não são certezas, são reações, sentimentos. E eu compartilho estas coisas que eu sinto com vocês. Existem muitos outros sites e organizações a favor da propaganda. E existem muitos outros sites e organizações contra a propaganda. Este sítio não é nenhum dos dois. Este sítio é um sítio antipropaganda, no sentido da antimatéria. É uma reação espontânea, natural, indissociável, legítima, sincera, possível, falível, poética, apontada e definida por determinadas propagandas que, sem aviso prévio, espancam a minha mente desde pequeno.
E pra fechar o balanço, este sítio tem erros de português mesmo, gente... poxa. Eu admito que a linguagem formal tem áreas que eu ainda não domino completamente e por vezes faço a opção prático-preguiçosa de mudar de frase a pesquisar o tempo correto, ou a ortografia culta. É o clássíco: "sexta-feira é com x, ou com s, chefe? Antecipa pra quinta, minha filha."
E eu não sou candidato a nada. Como diz o nosso amigo de coração: "... e no final assim, calado, eu sei que vou ser coroado rei de mim".
E ser rei de si mesmo já é pretensão suficiente para se preocupar.
" Vai, popozuda, vai descendo até o chão, requebrando no suingue do miami pancadão!
Eu tenho a força, Cavaleiro de Jedi. Então vem popozuda. Vai! Vai!".
Só pra terminar pra cima.
"Toda a vida das sociedades nas quais reinam as modernas condições de produção se apresenta como uma imensa acumulação de espetáculos. Tudo o que era vivido diretamente tornou-se uma representação.
O espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, mediadas por imagens.
A alienação do espectador em favor do objeto contemplado (o que resulta de sua própria atividade inconsciente) se expressa assim: quanto mais ele contempla, menos vive; quanto mais aceita reconhecer-se nas imagens dominantes da necessidade, menos compreende sua própria existência e seu próprio desejo. Em relação ao homem que age, a exterioridade do espetáculo aparece no fato de seus próprios gestos já não serem seus, mas de um outro que os representa por ele. É por isso que o espectador não se sente em casa em lugar algum, pois o espetáculo está em toda parte.
O espetáculo é o capital em tal grau de acumulação que se torna imagem."
A Sociedade do Espetáculo, Guy Debord. 1967.
Segura, neném.
esse sítio não é atualizado, ele é enchido, vai enchendo. não tem ordem, não tem nada. tem isso e mete bronca.
Não sou contra a propaganda