Eu sou pó moderno

Eu sou pó moderno

 

Eu sou pó moderno. 

Nunca sou a continuidade de ontem.

Durmo com a cabeça cheia de planos

e acordo com os pés no travesseiro.

E se finjo ir na direção contrária,

é porque à tarde já volto a querer ser fotógrafo no interior do Brasil.

De noite noto que o dia acabou,

pra mim

e apenas deito.

Mais uma volta no carrossel melancólico do campo de São Bento.

Eu sou pó moderno.

Com um vento brisalento,

pulverizo-me em várias direções,

em pequenos fragmentos de mini-desejos,

incompleto e instantâneo.

Sonhos substituídos por novos sonhos substituíveis.

De noite é reunir os cacos que ainda estão por perto,

arregimentar um pouco de fôlego

e soprar-me e confundir-me novamente

numa nuvem de breves movimentos,

pela manhã.

Eu sou pó moderno.